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Produzido por Thaís Nicoleti de Camargo, consultora de língua portuguesa da Folha e do UOL, blog discute questões e dá dicas para quem tem dúvidas no emprego da chamada norma culta.

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É hora de arregaçar as mangas e aprender de vez a nova ortografia

Por Thaís Nicoleti

Hoje lançamos este espaço para a discussão de questões sobre a língua portuguesa e para a veiculação de informações rápidas destinadas àqueles que querem escrever melhor e ainda têm algumas dúvidas no emprego da chamada norma culta. Afinal, quem nunca hesitou na escolha de “por que” ou “porque” ou na hora de crasear o “a”?

Segundo o nosso querido Adão Iturrusgarai

… até o Criador tem lá suas dúvidas!

Nem é preciso dizer que, numa época em que a comunicação escrita ganhou novos espaços e é usada o tempo todo, é fundamental saber escrever de forma clara e fluente, com pleno domínio do código linguístico.  Esperamos, com este blog, contribuir para que mais pessoas passem a refletir sobre a língua e suas potencialidades. Sejam todos bem-vindos a esta página!

ACORDO ORTOGRÁFICO

Estamos convivendo com a nova ortografia do português desde 2009, mas muita gente ainda tem dúvidas relativas à correta grafia das palavras. Como todos sabemos, a fase de implantação do acordo – ou período de transição até a sua definitiva entrada em vigor – está prestes a terminar. Em outras palavras, o prazo de adaptação às novas regras esgota-se no próximo dia 31 de dezembro.

Muito já se criticou o Acordo Ortográfico – alguns o fizeram (e ainda fazem) em nome da costumeira aversão à mudança, outros lançam mão de argumentos mais específicos. É hora de uns e outros baixarem a guarda e partirem para a aceitação e a adaptação.

Ainda que algumas mudanças soem desnecessárias ao português do Brasil, como a retirada do acento agudo do ditongo aberto tônico (aquele da antiga “idéia”, hoje “ideia”) e a supressão do acento diferencial da forma verbal “para”, cuja grafia agora se iguala à da preposição “para”, a maior parte delas tem efeito simplificador, o que parece louvável do ponto de vista da maioria das pessoas.

A própria redução do número de acentos é, em si, uma medida simplificadora. Hoje muita gente lamenta a eliminação do trema que indicava a pronúncia do “u” átono. Virou moda dizer que vamos comer “linguiça” (ghi) ou coisas do gênero, mas o fato é que, antes, o que mais se ouvia eram reclamações contra o pobre trema: “Isso ainda existe?”, ”Já caiu faz tempo!”, “Nossa! Nunca usei isso!”. Nós, professores, é que parecíamos uns extraterrestres ensinando a usar os dois pinguinhos em cima do “u” (devo dizer que, particularmente, sinto grande falta do trema, pois era um sinal indicador de pronúncia – aliás, tão útil que permanece na indicação de prosódia dos dicionários).

O que falta é entender que, em alguns pontos, houve mudança no raciocínio que fundamenta a ortografia.  É claro que estamos nos referindo a uma pequena, bem pequena mesmo, parcela das palavras do português, mas, ainda assim, algo mudou e é preciso compreender isso.

Quem sabe um dos méritos do acordo não tenha sido exatamente o de promover a mobilização em torno da língua portuguesa? Não seria este um bom momento para as pessoas revisarem seu conhecimento e o aprofundarem?

Seria oportuno que as instituições, públicas e privadas, dessem o exemplo e ajustassem grafias de nomes, produtos e serviços. A título de exemplo, até quando a Caixa manterá a grafia “mega-sena”,  que já era incorreta antes do acordo? Por que não “megassena”, em consonância com a ortografia (nova e antiga!) da língua portuguesa?

O leitor, com certeza, encontrará muitos outros casos como esse ao ler embalagens de produtos e um sem-número de avisos e comunicados divulgados nas mais variadas situações.

Espero dedicar os próximos textos às principais dúvidas relativas ao Acordo Ortográfico. Vamos entrar em 2013 sem trema, com poucos acentos e com o hífen no lugar certo – se Deus quiser!

 

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