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Produzido por Thaís Nicoleti de Camargo, consultora de língua portuguesa da Folha e do UOL, blog discute questões e dá dicas para quem tem dúvidas no emprego da chamada norma culta.

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Sobre os acentos diferenciais

Por Thaís Nicoleti

É voz corrente que, depois do acordo ortográfico de 1990, os acentos diferenciais foram abolidos. A história não é bem essa. Alguns foram mantidos. Vamos pôr (com acento!) ordem nesse caos.

A maior parte dos diferenciais foi de fato extinta. Não se distinguem mais graficamente o substantivo “pelo”, a contração de preposição com artigo “pelo” e a forma verbal “pelo” (do verbo “pelar”), por exemplo. O mesmo vale para “pela” (contração de preposição com artigo ou forma verbal).

Assim:

O pelo (sem acento) dos gatos é muito macio.

A forma do verbo “pelar” (“tirar a pele de”, entre outros sentidos) perdeu o acento:

 

Ele pela (sem acento) o tomate.

 

  As contrações da preposição “por” com os artigos definidos (o, a, os, as) continuam sem acento (pelo, pela, pelos, pelas). Assim:

As freiras caminham pela (sem acento) rua.

 

O acento diferencial do substantivo “pera” (nome da fruta) também desapareceu. Assim:  

A pera (sem acento) é uma fruta deliciosa.

Pouco usada, a palavra “pera” (com “é”), sinônimo antigo de “pedra”, também perdeu o acento. Assim:

pera-fita (sem acento)

 A palavra “polo”, em todas as suas acepções, perde o acento. Assim:

 

polo norte (sem acento)

O esporte também chamado “polo” perde o acento. Assim:

polo, sem acento

Da mesma forma, perde o acento o termo “polo” que, por extensão, designa o modelo de camiseta semelhante ao usado pelo jogadores de “polo”. Assim:

O polo aquático já é um esporte olímpico. Escreve-se sem acento. Assim:

polo (sem acento) aquático

 

POLÊMICA

Talvez o mais lamentado dos acentos diferenciais extintos seja o da forma verbal “pára”, agora grafada exatamente como a preposição “para”. Os jornalistas ficam muito insatisfeitos quando querem criar manchetes do tipo “Manifestação para rodovia”, em que  “para” é a forma do verbo “parar”.  Ainda assim, com a ajuda das editoras, as pessoas tendem a acostumar-se à nova grafia.

 

O tempo não para (sem acento).

 

 

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