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Produzido por Thaís Nicoleti de Camargo, consultora de língua portuguesa da Folha e do UOL, blog discute questões e dá dicas para quem tem dúvidas no emprego da chamada norma culta.

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Hífen com prefixos terminados em “-r”

Por Thaís Nicoleti

As principais mudanças ortográficas relativas à hifenização foram as comentadas no texto anterior. É importante, porém, reforçar algumas regras que não se modificaram.

Um exemplo é o da hifenização com os prefixos terminados em “-r” (ciber-, nuper-, super-, hiper-, inter-). Diante de termos iniciados por “h” ou por “r”, aparecerá o hífen. Somente nessas situações. Nas demais, haverá justaposição.

É por isso que continuamos escrevendo “super-homem”, “hiper-hedonista” ou “hiper-hidrose”, “inter-regional”, “super-requintado” e “cibercafé”, “supersônico”, “hipermercado”, “nuperpublicado” etc. O prefixo “nuper-” é um cultismo que significa “recentemente”, “há pouco tempo”.

É importante observar que não houve alteração na hifenização desses prefixos porque eles já seguiam os princípios que hoje se universalizaram. Note que, por terminarem em “-r”, eles se prendem por hífen a termos iniciados por “r”, ou seja, as letras repetidas se separam, como ocorre agora com os terminados em vogais (micro-ondas, anti-inflacionário, entre-eixo etc.). 

Veja-se, então, que “neorrealismo” se escreve com “rr”, mas “hiper-realismo” com hífen. É simples: “neo-” é um prefixo terminado em vogal posto diante de uma palavra iniciada por “r” , portanto duplica-se o “r”; “hiper-” termina com “r”, portanto usamos hífen diante de uma palavra iniciada por “r”. O segredo está em olhar a letra final do prefixo.

Muita gente tem usado o prefixo “super-” como se ele fosse uma palavra independente, um advérbio de intensidade talvez. São comuns construções do tipo “A aula foi super interessante“, “Fulano é super bacana” e por aí vai. Essas grafias são consideradas incorretas à luz do nosso sistema ortográfico.  O correto nesses casos é “superinteressante” (aliás, nome de uma revista) e “superbacana”. Basta aplicar a regra.

Observe-se que é a condição de prefixo que isenta “hiper-“, “super-“, “inter-“, “ciber-” e “nuper-” do acento das paroxítonas terminadas em “r”. Se fossem palavras independentes, teriam de receber acento na sílaba tônica (como “mártir”, “revólver”, “caráter”, “cadáver”). É o que se faz, por exemplo, quando se pretende reduzir a palavra “hipermercado” à forma “híper”. O acento aparece porque a palavra deixou de ser um prefixo e passou a ser um substantivo. Em sua nova condição, ela passa a seguir as regras próprias do substantivo.

Reduzir um termo como “hipermercado” a “híper” é semelhante a reduzir “microcomputador” a “micro”, “heterossexual” a “hétero”, “extraordinário” a “extra” etc. Veja que “híper” recebeu o acento por ser paroxítona terminada em “-r” e “hétero” por ser proparoxítona.  “Micro” e “extra”, paroxítonas terminadas em “-o” e “-a”, naturalmente não recebem acento.

Veja o caso do hipermercado (híper) cujo nome é a redução de extraordinário (Extra). Os dois prefixos foram substantivados. Faltou, como você vê abaixo, acentuar o substantivo “híper”.

 

 

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