“SUSPEITA” PEDE SUBJUNTIVO

Por Thaís Nicoleti

“Suspeita”, “desconfiança”, “suposição”, “hipótese”. Esses termos expressam dúvida, portanto a oração que os completa requer o verbo no modo subjuntivo. Apesar disso, é relativamente comum encontrarmos textos em que esse princípio não é seguido. Veja a frase abaixo:

“A polícia suspeita que não se trata de uma quadrilha e que o homem age sozinho.”

As formas “se trata” e “age” estão no modo indicativo, apropriado para a expressão da certeza. Se se trata de uma suspeita, é importante que o verbo da oração complementar deixe isso claro. O correto, nesse caso, é o seguinte:

A polícia suspeita que não se trate de uma quadrilha e que o homem aja sozinho.

O verbo “suspeitar” admite o complemento com ou sem preposição, de modo que também estaria correto dizer que a polícia suspeita de que (…).

Veja alguns outros casos de frases que se constroem com o verbo no modo subjuntivo:

Havia expectativa de que a modelo voltasse à passarela.

Ninguém esperava que ele chegasse tão cedo.

Note que a negação requer o subjuntivo também:

Ele negou que tivesse feito aquilo (e não “negou que fez aquilo”).

O subjuntivo, além de exprimir a ação ainda não realizada, é o modo empregado em certas orações subordinadas desenvolvidas (com conjunções como “caso”, embora” etc.) e com os advérbios de dúvida. Assim:

A lei determina que as biografias sejam publicadas apenas mediante autorização do biografado.

Como não chovesse, decidiu passear pelo parque.

Embora chovesse, saiu sem guarda-chuva.

Caso não saia cedo, telefone-me.

Se fizermos tudo como foi combinado, os resultados serão positivos.  

Talvez fosse aquela a melhor solução.