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Produzido por Thaís Nicoleti de Camargo, consultora de língua portuguesa da Folha e do UOL, blog discute questões e dá dicas para quem tem dúvidas no emprego da chamada norma culta.

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Para aprender a nova ortografia

Por Thaís Nicoleti

Como sabemos, oficialmente, foi transferida para 2016 a entrada em vigor do Acordo Ortográfico de 1990 (sim, o último Acordo Ortográfico, esse que vem sendo posto em prática desde 2009, é de 1990).  O adiamento não significa, porém, que não vamos ter de aprender as novas regras. Aliás, quanto antes o fizermos, melhor, já que isso é muito mais simples do que conviver com dois sistemas ao mesmo tempo.

As manifestações contrárias à mudança fazem parte do jogo.  Postas à parte as críticas fundamentadas, feitas principalmente por profissionais da área, muita gente se opõe à reforma pelo simples fato de ter de reaprender algumas regras, o que, aliás, é compreensível. Na prática, porém, são poucas as alterações e há boas obras disponíveis para quem quer aprimorar o conhecimento.

O TREMA

Lembremos o caso específico do trema, que deixou saudade em muitos, inclusive nesta que ora escreve. O fato é que, embora se ouça aqui e ali algum lamento relativo a essa mudança, os dois pinguinhos sobre a letra “u” eram frequentemente sequestrados da escrita de muita gente escolarizada. Quantas pessoas realmente se preocupavam em usar o sinal diacrítico sobre o “u” de “cinquenta” quando, por exemplo, assinavam um cheque?

Pois é. O trema era esquecido na maior parte das vezes e, quando advertidas do esquecimento, muitas pessoas perguntavam se ele já não “tinha caído”, enquanto outras chegavam a afirmar isso com alguma convicção. Bem, agora caiu mesmo – para o bem ou para o mal, o tempo dirá.

Em tempo: em Portugal, já não se usava o trema. Veja um fragmento do “Ensaio sobre a Cegueira” (1995), de José Saramago:

“Por um instante, primeiro pensou a mulher que o seu homem havia sido apanhado em flagrante delito e que a polícia estava ali para passar busca à casa, ideia esta, por outro lado, e por muito paradoxal que pareça, bastante tranquilizadora, considerando que o marido só roubava automóveis, objectos que, pelo seu tamanho, não podem ser escondidos debaixo da cama.” 

ACENTOS E HIFENS

Não só a acentuação como também o sistema de hifenização foram simplificados no Acordo, mas, mesmo assim, os hifens continuam provocando dúvidas. Os revisores e demais profissionais que lidam com a língua portuguesa no dia a dia devem consultar o site da ABL (www.academia.org.br) e ter à mão obras de referência, como bons dicionários e aquele nosso velho conhecido Grande Manual de Ortografia (da editora Globo), uma obra do filólogo Celso Luft bastante conhecida entre os “militantes” da área.

Note-se que o livro ganhou nova edição, atualizada em conformidade com o texto do Acordo. Encontram-se lá, mais que essas regras, muitas outras informações, organizadas de maneira prática, favorecendo a consulta rápida. Uma lista de abreviaturas, um apêndice de antropônimos (nomes próprios de pessoas) e de topônimos (nomes próprios de lugares)  e uma boa quantidade de expressões da língua que oferecem dúvida quanto à ocorrência da crase e de artigos são tópicos de grande interesse para a turma da revisão.

SIMPÓSIO EM GOIÁS

FICA A DICA: o IV SIMPÓSIO MUNDIAL DE ESTUDOS DE LÍNGUA PORTUGUESA  será realizado na Faculdade de Letras Universidade Federal de Goiás, de 2 a 5 de julho de 2013. Entre muitos outros estudiosos da nossa língua, estarão por lá Evanildo Bechara, Maria Helena de Moura Neves e Ataliba Teixeira de Castilho.  http://www.simelp.letras.ufg.br

 

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