-

Produzido por Thaís Nicoleti de Camargo, consultora de língua portuguesa da Folha e do UOL, blog discute questões e dá dicas para quem tem dúvidas no emprego da chamada norma culta.

Perfil completo

Publicidade
Publicidade
Publicidade
Publicidade

Língua portuguesa ganha novos espaços

Por Thaís Nicoleti

Recentemente, a língua portuguesa foi lembrada em interessantes reportagens publicadas no caderno “Turismo”, da Folha.

Numa delas, informava-se que Nova York já vem se rendendo à língua de Camões: o MoMA (Museu de Arte Moderna), por exemplo, lançou em março a versão em português do Brasil de seu audioguia.

 

MoMA

 

E a história não para por aí, já que, em Madri, importantes museus fizeram o mesmo, restaurantes já incluíram o português no cardápio e lojas disputam vendedores fluentes na nossa língua.

Tudo isso porque o Brasil se tem revelado um importante exportador de turistas, que, ansiosos por conhecer o mundo e por fazer compras no exterior, estão levando na bagagem o idioma do maior país da América Latina.

Seguem dois links para os interessados:   

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/turismo/111254-museus-oferecem-audioguia-em-portugues-e-tour-com-brasileira.shtml

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/turismo/111253-na-corte-ingles-interprete-conduz-cliente-por-9-andares.shtml

No mundo das artes, a língua portuguesa também marcou presença internacional. Vejam esta:

“Pela primeira vez, foi em português o agradecimento à entrega do Leão de Ouro de Melhor Participação Nacional na Bienal de Arte de Veneza, concedido neste sábado (1º).

O ‘muito obrigado’ foi pronunciado pela ministra da cultura de Angola, Rosa Cruz e Silva, comissária do pavilhão, com o projeto ‘Luanda, Cidade Enciclopédica’.”

Edson Chagas, angolano, vencedor da BIenal de Veneza (2013)

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2013/06/1288426-pela-primeira-vez-angola-leva-leao-de-ouro-na-bienal-de-veneza.shtml

À parte essa movimentação, o nosso Neymar embarca para a Espanha  e ouço comentários de que o rapaz já deveria ter aprendido a falar a língua do país, coisa que, aparentemente, ele ainda não fez. Faz sentido essa cobrança?

O fato é que já adquirimos o hábito de nos desdobrarmos para falar línguas estrangeiras – e aqui reproduzo um pequeno trecho bem-humorado da coluna de ontem do professor Pasquale na Folha:

Divirto-me com o contorcionismo de alguns apresentadores do rádio e da TV para pronunciarem “Connecticut” do jeito que acham que se pronuncia no inglês americano (algo como “conéricât”). Nessas horas, vem-me à lembrança o que dizia o grande Eça (algo como “Tenho obrigação de falar mal qualquer língua que não seja o português”).

 http://www1.folha.uol.com.br/colunas/pasquale/2013/06/1290487-a-cidade-de-oklahoma-city.shtml

Será que o Neymar tem mesmo a obrigação de chegar à Espanha falando como um espanhol? Ou será que a nossa estrela do futebol poderá, naturalmente, divulgar a língua portuguesa por lá? Afinal, como é que uma língua se torna hegemônica?

Numa época dinâmica como a de hoje, além do turismo e da economia, as artes, o futebol, enfim, os nossos produtos culturais também podem promover a nossa língua.

 

Neymar, do Brasil para a Espanha

Blogs da Folha