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Produzido por Thaís Nicoleti de Camargo, consultora de língua portuguesa da Folha e do UOL, blog discute questões e dá dicas para quem tem dúvidas no emprego da chamada norma culta.

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O e-mail no mundo corporativo

Por Thaís Nicoleti

Hoje é até difícil imaginar (ou lembrar) como era a nossa vida antes da internet e da agilidade do envio de mensagens pela rede. O fato é que, no mundo empresarial, a ferramenta não só facilitou a comunicação entre as pessoas como também trouxe alguns problemas.

Por um lado, expôs a dificuldade que muita gente tem ao empregar a língua na variante culta, apropriada para a comunicação formal, e, portugues e ciapor outro, criou embaraços que beiram o universo da etiqueta: nem sempre as pessoas sabem ao certo como fazer um pedido, como dar uma ordem, como finalizar uma mensagem etc.

Antes da era do e-mail, havia fórmulas de correspondência, das quais alguns ainda devem recordar-se. Expressões como “por obséquio”, “sem mais para o momento, subscrevo-me”, “venho por meio desta”, “grato” etc., que hoje soam antiquadas, eram usadas com muita frequência — o ato de redigir uma carta era em si uma atividade formal.  É claro que a formalidade ainda existe, mas a ausência de modelos fixos constantemente põe em questão a busca do tom adequado.

É evidente que uma expressão como “por obséquio” não foi banida da comunicação, mas pode soar artificial, desviando para si a atenção do leitor. A linguagem ideal não é a que parece artificial, distante  da que se usa no dia a dia, mas aquela que “não aparece”, que é sóbria, sem afetação, ou seja, aquela que cumpre à risca o papel que deve cumprir na situação. “Por favor”, por exemplo, é simples e eficaz.

Terminar a mensagem com o advérbio “atenciosamente” é algo ainda bastante usado e correto. De uns tempos para cá, entrou na moda a abreviatura “att.”, do inglês, recomendável apenas para quem estiver escrevendo a sua mensagem inteira em inglês. Não há nada que justifique encerrar uma mensagem escrita em português com a abreviatura em inglês. E o pior: pode parecer afetação.

É um equívoco pensar que o uso de anglicismos, por si só, valoriza o texto. O melhor caminho ainda é a fluência na língua portuguesa e seu uso seguro na variante de padrão culto. O ideal é empregar uma linguagem limpa, impessoal e cordial, como, de resto, devem ser o ambiente de trabalho e o comportamento entre colegas.

 

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