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Produzido por Thaís Nicoleti de Camargo, consultora de língua portuguesa da Folha e do UOL, blog discute questões e dá dicas para quem tem dúvidas no emprego da chamada norma culta.

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A professora mais boazinha da escola

Por Thaís Nicoleti

Recente coluna do nosso querido Jairo Marques, intitulada “A sala dos bobos”, começava com esta frase:     final portugues na folha

Tia Dulce, a professora mais boazinha e paciente do colégio, era a escalada para cuidar da sala onde eram alojadas todas as crianças que alguém, por motivos torpes quaisquer, considerava “especiais”.

A expressão que suscitou dúvida foi “a professora mais boazinha da escola”. Afinal, todos aprendemos desde cedo que são incorretas as construções “mais bom” ou “mais boa”. Ninguém diria “a mais boa resposta”, certo? Sem dúvida, optaríamos automaticamente por “a melhor resposta”. Ocorre, porém, que o sufixo de diminutivo, nesse caso, parece fazer muita diferença.

Ser boa e ser boazinha são coisas muito distintas. Uma professora boa (ou uma boa professora) ensina bem, cumpre bem o seu papel profissional; uma professora “boazinha”, no entanto, independentemente de ser uma boa profissional, é tolerante, paciente, gentil, delicada etc. A mesma distinção aplica-se ao masculino (o professor bom e o professor bonzinho nem sempre são a mesma pessoa).

O que importa aqui é observar que o sufixo de diminutivo posto nesse adjetivo provoca sensível alteração no seu sentido original, o que dá ao termo resultante certa independência.

Não ousaríamos dizer que a “tia Dulce” era a professora “melhorzinha” do colégio, pois, se assim o fizéssemos, estaríamos dizendo algo muito diverso daquilo que o autor pretendeu (estaríamos dando a entender que as professoras do colégio eram ruins e que a tia Dulce era um pouquinho melhor que as demais).

Nada disso. Ela era, de fato, a professora mais boazinha da escola. É assim que intuitiva e corretamente as pessoas  falam.

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