-

Produzido por Thaís Nicoleti de Camargo, consultora de língua portuguesa da Folha e do UOL, blog discute questões e dá dicas para quem tem dúvidas no emprego da chamada norma culta.

Perfil completo

Publicidade

Fulano, beltrano e… sicrano

Por Thaís Nicoleti

ilustracao-para-materia-de-brigas-nas-redes-sociais-1401916226004_615x300 (1)

A imagem ao lado ilustrava um texto sobre comportamento na internet, publicado numa das páginas do portal UOL.

Não demorou muito até que alguém questionasse o uso da palavra “ciclano”. O fato é que, embora se ouça com alguma frequência essa forma, o termo que usamos para substituir o nome de uma pessoa, depois de “fulano” e “beltrano”, é “sicrano”.

Sua origem é controversa e mesmo bons etimologistas se abstêm de arriscar uma explicação definitiva sobre ela. O fato é que “fulano” vem do árabe e significa “um certo”, “determinado”, enfim, algo próximo do nosso pronome indefinido “alguém”.

A vantagem de usar “fulano” é que se pode mencionar na mesma sequência um “segundo fulano”, então por meio da palavra “beltrano”, cuja origem costuma ser atribuída ao nome próprio Beltrão, e um “terceiro”: o “sicrano”.

Obras de referência, como dicionários, costumam indicar a ordem “fulano, beltrano e sicrano”. De fato, ninguém usará “beltrano” ou “sicrano” sem antes ter mencionado “fulano”. Tudo indica que a terminação “-ano” desses termos tenha derivado do final da palavra “fulano”, à qual elas necessariamente se seguem. final o leitor quer saber

Vale observar que esses são termos expressivos, próprios da linguagem oral, o que torna ainda mais difícil descobrir a sua origem. Seja como for, o “fulano” faz tanto sucesso na linguagem informal que já ganhou flexão de gênero (fulana) e até de grau (fulaninho),  acentuando-se nesses casos o caráter pejorativo que o uso lhe vem emprestando. Há quem dê ao fulano um sobrenome (fulano de tal) e há ainda quem derive dele um verbo.

Já existe registro do termo “fulanizar”, que se emprega para dizer que  alguém atribui nome ou identificação a pessoas de início indeterminadas ou cuja identificação não interessa para discutir uma questão. Tomemos como exemplo uma discussão sobre o tema da corrupção em que um dos debatedores cite pessoas acusadas de ter cometido esse tipo de delito e o outro diga que não gostaria de “fulanizar” o debate, com isso querendo dizer que  não gostaria de mencionar nomes ou de mencionar casos concretos associados a uma ou outra pessoa em particular. O verbo, por sua vez, dá origem ao substantivo “fulanização” – e assim a língua continua seu processo de renovação.

 

 

Blogs da Folha