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Produzido por Thaís Nicoleti de Camargo, consultora de língua portuguesa da Folha e do UOL, blog discute questões e dá dicas para quem tem dúvidas no emprego da chamada norma culta.

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Descanse em paz, Walkyria!

Por Thaís Nicoleti

Faleceu aos 84 anos de idade Walkyria Pereira Leite, a dona Wal, da Folha, que, para mim, foi sempre a Walkyria, assim mesmo, sem o “dona” e sem o “senhora”. Não preciso dizer quanto ela gostava de ser tratada dessa maneira, de igual para igual, sem ser lembrada, por força da polidez alheia, da idade sempre a avançar.temalivre

Popular no jornal por sua faceta desbocada, nunca fugiu ao personagem: indignação e mesmo alguns palavrões faziam parte do seu show. Ora praguejando contra os políticos corruptos, ora discutindo com as gravações que transcrevia, Walkyria foi conhecida de todos os que passaram pela Folha nos últimos 50 anos, pelo menos.

Adorava o jornal e não tinha medo de trabalho.  Solteira, fiel a um amor desencontrado na juventude, Walkyria não ia para casa antes de terminar o que tivesse começado, mesmo que isso lhe custasse ficar sozinha na Redação até altas horas.

Pouco antes de se aposentar, já com seus 80 anos, tinha começado um curso de chinês na Folha. Era daquelas pessoas que têm apreço pela norma culta do idioma e, não raro, contava que corrigia aqui e ali o português dos entrevistados, já adiantando o trabalho de edição a ser feito posteriormente.

Verdadeiro arquivo de histórias, Walkyria conheceu muitos dos jornalistas que hoje ocupam posições importantes em diversos veículos de comunicação.

Walkyria não era uma “senhorinha”. Seu jeito altivo nunca encorajou ninguém a tratá-la no diminutivo, como muita gente boa faz com as pessoas idosas, sem se dar conta de que infantilizá-las pode não ser o melhor sinal de respeito por sua trajetória.  Descanse em paz, Walkyria!

 

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