Quem fica quieto na hora do jogo da seleção?

Posso morrer pelo meu time
Se ele perder, que dor, imenso crime
Posso chorar se ele não ganhar
Mas, se ele ganha, não adianta
Não há garganta que não pare de berrar  (Skank)

 

Dia de jogo da seleção brasileira é quase um feriado nacional. Vamos ficar no “quase”, pois as pessoas ficam divididas entre a agenda e essa espécie de dever cívico que é engrossar a torcida canarinho.

Num acordo sem palavras, todo o mundo aceita que, na hora do jogo, não precisa de banco, de lavanderia, de shopping ou do que quer que seja. Quem está no local de trabalho vai para a frente da TV.

Quem, por qualquer motivo, na hora do jogo está longe do aparelho pode puxar conversa com qualquer pessoa em qualquer lugar para saber o placar do momento (“Está quanto pro Brasil?”). Até quem não acompanha o esporte (ou quem só conhece os jogadores que vão para o Mundial) fica tomado de uma reconfortante sensação de pertencimento.

O futebol não tem classe social. É possivelmente o tema sobre o qual se conversa com qualquer pessoa sem as barreiras da formalidade. Somos todos brasucas!

Ninguém consegue ficar quieto enquanto assiste a uma partida da seleção. Quem mal sabe o que é um tiro de meta ou um pênalti opina sobre as decisões do árbitro. Todo o mundo, nessa hora, é especialista em futebol.

O mais divertido é ouvir os mais exaltados, que, diante da televisão, se põem a dizer o que devem fazer os homens que estão no gramado: Vai! Mete a bola no gol! Chuta! E tome verbos no imperativo, salpicados de interjeições, sob o som das cornetas ou “vuvuzelas”.

Antigamente, nos primórdios da televisão, os jogos da Copa eram gravados e só passavam um dia depois em videoteipe. Os aficionados do esporte acompanhavam as partidas pelo rádio.

Hoje, as imagens são onipresentes (seja na TV, seja no computador, seja no celular), mas, sem o narrador e o alarido da torcida, elas não têm tanta graça. Não é à toa que muitos dos apaixonados pelo esporte carregam o “radinho de pilha” quando vão ao estádio.

Fico a pensar que a narração esportiva é uma arte. Haja destreza de pensamento e de articulação! É cheia de entusiasmo, de chistes e de pormenores que tornam possível enxergar cada passe de cada atleta. E o grito de “gol” com a vogal esticada até o fôlego se acabar para só no fim revelar o autor do feito tem o condão de suspender o tempo por alguns segundos.

O fato é que ninguém consegue ficar quieto enquanto assiste ao futebol. Não importa o que se diz, mas é preciso dizer alguma coisa. O combate termina no campo, mas continua na conversa, cada lance rememorado, todo o mundo fazendo a escalação para o próximo jogo, dando palpites na estratégia do técnico, xingando, aplaudindo, rindo ou chorando. Como diria o Skank, “que emocionante é uma partida de futebol”! Vai, Brasil!

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