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Produzido por Thaís Nicoleti de Camargo, consultora de língua portuguesa da Folha e do UOL, blog discute questões e dá dicas para quem tem dúvidas no emprego da chamada norma culta.

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A regra do ditongo aberto

Por Thaís Nicoleti

A eliminação do acento do ditongo aberto tônico das paroxítonas foi uma das alterações que mais incomodaram os brasileiros, acostumados que estamos a pronunciar de modo claramente aberto as vogais “e” e “o” de palavras como “ideia”, “geleia”, “panaceia”, “asteroide”, “polaroide”, “heroico” etc. Como sabemos, porém, a pronúncia das palavras não sofre nenhuma mudança. A reforma é apenas ortográfica.

Assim:

GELEIA, sem acento
Joia, sem acento

Repare que perdem o acento os ditongos abertos que não estão na sílaba final da palavra. O ditongo aberto das oxítonas continua existindo. Por esse motivo, “herói” mantém o acento, mas “heroico” não. A maior parte das oxítonas terminadas em ditongo aberto são plurais. Veja: papéis, fiéis, cordéis, carretéis, anéis, lençóis, anzóis etc.

Assim:

Chapéu, oxítona, com acento
Papéis, oxítona, com acento

Quem trabalha com corretores ortográficos eletrônicos deve ficar atento, pois esses sistemas não conseguem corrigir a grafia de algumas dessas oxítonas caso a pessoa se esqueça de pôr o acento. Por que isso acontece?

Isso ocorre porque coexistem na língua as formas “papéis” (substantivo) e “papeis” (forma do verbo “papar”), “fiéis” (substantivo/adjetivo) e “fieis” (forma do verbo “fiar”) etc. O mais seguro é realmente aprender a regra, coisa que o computador não consegue fazer a contento.

“PEGADINHA”

Agora que você já compreendeu a regra, diga sem hesitar qual é o certo: “destróier” ou “destroier”? Estamos diante de um caso de paroxítona terminada em “-r” cuja sílaba tônica é um ditongo aberto. Como sabemos, as paroxítonas terminadas em “-r” são acentuadas (revólver, mártir, cadáver, pulôver etc.) e as paroxítonas cuja sílaba tônica é um ditongo aberto perderam o acento. Temos aqui uma situação de sobreposição de duas regras. Nesse caso, vale a regra da paroxítona em “-r” – e a palavra mantém o acento.

Assim:

Destróier, com acento

O mesmo vale para Méier, nome de um bairro do Rio de Janeiro.

 

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