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Produzido por Thaís Nicoleti de Camargo, consultora de língua portuguesa da Folha e do UOL, blog discute questões e dá dicas para quem tem dúvidas no emprego da chamada norma culta.

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A novela e a crase

Por Thaís Nicoleti

Segundo o querido José Simão, colunista da Folha, a nova novela da Globo, intitulada “Amor à Vida”, “promete ser polêmica, tem até crase”.

Piada à parte, conhecendo a influência que as novelas exercem na população, é bem provável mesmo que as pessoas passem a prestar mais atenção aos mistérios da crase. Na verdade, não há mistério propriamente dito, mas muita gente bem escolarizada se atrapalha na hora de decidir-se por usar ou não o acento grave sobre o “a”.

Crase, para começar, não é o acento em si, mas o fenômeno (fonético) da fusão de dois “aa”, sendo um deles a preposição e o outro o artigo definido feminino (pelo menos, na maior parte das vezes). Essa fusão é que é representada pelo “a” craseado: “à”.

POR QUE OCORRE CRASE NO TÍTULO DA NOVELA?

É um dos casos mais simples de crase. A palavra “amor” é completada por um substantivo feminino (“vida”) e a preposição responsável pela ligação dos dois termos é o “a”. Temos amor a alguma coisa, amor a alguém, portanto “amor a… a vida” – em vez de escrevermos dois “aa”, usamos “à”: amor à vida.  Se o alvo do amor fosse o trabalho, teríamos “amor ao trabalho”. É fácil, não?

Em tempo: o substantivo “amor” rege complementos com outras preposições também: amor pela vida, amor para com a vida etc.

Dúvidas sobre o uso correto das preposições podem ser resolvidas com a consulta a dicionários de regência verbal e nominal. Os dois volumes de Celso Luft, publicados pela editora Ática, são uma ótima pedida para quem se interessa pelo assunto:

LUFT, Celso – Dicionário Prático de Regência Nominal

LUFT, Celso – Dicionário Prático de Regência Verbal

Nos próximos textos, vamos tratar de mais alguns casos de crase.

 

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