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Produzido por Thaís Nicoleti de Camargo, consultora de língua portuguesa da Folha e do UOL, blog discute questões e dá dicas para quem tem dúvidas no emprego da chamada norma culta.

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Acento do ditongo aberto ainda causa dúvida

Por Thaís Nicoleti

Uma de nossas leitoras sugeriu o tema deste Português em Foco, o acento do ditongo aberto depois do Acordo Ortográfico de 1990. Adão portugues em foco

Parece até estranho dizer que o acordo é de 1990, já que entrou em uso somente em 2009, mas é essa a realidade. Toda essa demora esteve ligada ao fato de se tratar de um acordo de unificação ortográfica, o que é diferente de “reforma ortográfica”. Como qualquer outro acordo, depende da anuência das partes, o que, em geral, só ocorre depois de muita conversa.

Toda alteração na ortografia oficial das palavras tende a provocar algum grau de rejeição, afinal as pessoas acham que terão de reaprender todo o sistema, mas a verdade é que as mudanças costumam ser gradativas, portanto não chegam a ser traumáticas.

DITONGO ABERTO

No português do Brasil, os ditongos de palavras como assembleia e estreia são “abertos”, o que não se verifica na pronúncia portuguesa, que, conquanto não chegue a ser totalmente fechada, também não é totalmente aberta nesses casos.

Com o acordo de unificação ortográfica, deixamos de acentuar graficamente o ditongo aberto das paroxítonas (aquele que cai na penúltima sílaba da palavra): geleia, Coreia, Pompeia, Águas de Lindoia etc. Assim, heroico (paroxítona) perde o acento, mas herói (oxítona) não.

Não é difícil concluir que as palavras terminadas em “-oico”, todas elas (estoico, paranoico etc.), perdem o acento gráfico. O mesmo vale para as terminadas em “-oide” (ovoide, androide, espermatozoide, factoide etc.), porque o ditongo aberto “oi” está na penúltima sílaba delas.

DESTRÓIER

Vale notar que “destróier” e “Méier” (bairro do Rio de Janeiro) mantiveram o acento do ditongo aberto, mesmo sendo paroxítonas. Isso ocorreu porque o motivo do acento desses termos não é a abertura do ditongo, mas, sim, a terminação em “-r” (paroxítonas terminadas em “-r”, como revólver, mártir, caráter etc.).

OXÍTONAS

É bom lembrar que as palavras oxítonas (aquelas cuja sílaba tônica é a última) terminadas em ditongo aberto continuam acentuadas. É o caso de chapéu, solidéu, caracóis, pastéis, lençóis etc. Muitas vezes, esses ditongos aparecem seguidos de “s”, pois estão no plural de palavras oxítonas terminadas em “-el” (pastel – pastéis, aluguel — aluguéis, hotel — hotéis etc.).

DIMINUTIVOS

No diminutivo plural, os ditongos não são acentuados (como já não o eram antes do Acordo). Assim: pasteizinhos, lençoizinhos, aneizinhos etc., pois o ditongo dessas palavras não está na sua sílaba tônica. Nada mudou quanto a isso.

MONOSSÍLABOS

Quanto aos monossílabos, também não houve mudança. Nas palavras de uma só sílaba, o ditongo aberto continua acentuado: céu, réu, mói, rói, dói etc.

CURIOSIDADES

Em razão da mudança ocorrida na regra de hifenização, a antiga grafia “co-réu” passou a “corréu”, que, pelo acento, se distingue de “correu” (forma do verbo “correr”).

O substantivo apoio e a forma verbal apoio (eu apoio), conquanto se pronunciem de modo diferente, escrevem-se exatamente da mesma forma.

A forma verbal sois (vós sois) não tem acento gráfico, mas o plural de sol (sóis) tem, pois é um monossílabo tônico com ditongo aberto. Esse plural aparece no verso de Camões “Porém já cinco sóis eram passados” (“Os Lusíadas”).

NOMES E FORMAS VERBAIS

Algumas formas, como alugueis, bordeis, fieis, papeis, pasteis etc., quando escritas sem acento, leem-se com o “e” fechado /ê/. Tais palavras são formas verbais da segunda pessoa do plural (vós) do presente do subjuntivo. Assim: que vós alugueis (alugar), que vós bordeis (bordar), que vós fieis (fiar), que vós papeis (papar), que vós pasteis (pastar).

Na condição de nomes (substantivos/ adjetivos), são lidas com o “e” aberto /é/ e recebem o acento gráfico normalmente. Assim: aluguéis atrasados, bordéis interditados, fiéis ao credo, papéis trocados, pastéis de nata.

TESTE RÁPIDO

Caso haja erro quanto à acentuação, segundo a nova ortografia, substitua o termo incorreto pelo correto. As respostas serão publicadas na próxima terça-feira.

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  2. É verdade que tu ainda rois as unhas?
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