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Produzido por Thaís Nicoleti de Camargo, consultora de língua portuguesa da Folha e do UOL, blog discute questões e dá dicas para quem tem dúvidas no emprego da chamada norma culta.

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“Onde” e as preposições

Por Thaís Nicoleti

O assunto em pauta ainda é o “onde”. Muita gente hesita na hora de escolher entre “onde” e “aonde”. Você já teve essa dúvida?

“Onde”, como todos sabemos, é um advérbio interrogativo de lugar. Quando queremos saber o lugar em que alguma ação ocorreu, perguntamos “Onde o fato ocorreu?”, certo?

Nem sempre, porém, queremos saber o lugar em que algo ocorreu. A ideia de lugar pode estar associada, por exemplo, à de movimento. Nesse caso, será necessário usar uma preposição que indique isso. Assim: “Para onde você vai quando se aposentar?”. Nessa construção, há o pressuposto de que a pessoa vá mudar-se quando se aposentar, daí a construção “ir para algum lugar”.

Quando vamos para visitar, não para fixar residência, usamos a preposição “a”: “Costumam ir à praia nas férias de fim de ano”. Nesse caso, se perguntássemos a essas pessoas a que lugar costumam ir nas férias, diríamos “Aonde vocês costumam ir nas férias de fim de ano?”.  A forma “aonde”, que nasce da justaposição da preposição “a” ao advérbio “onde”, é usada nas frases construídas com verbos de movimento que exijam a preposição “a”.

Você viu, então, que há uma sutil diferença entre ir a algum lugar e ir para algum lugar. Se você vai, mas volta logo, você vai a algum lugar; se vai para ficar por longo tempo, para fixar residência, você vai para algum lugar.

Na hora de perguntar, também ocorrerá distinção entre “aonde” e “para onde”. Quem indaga “Para onde vai este país?” está preocupado com o destino da nação, com o rumo que ela seguirá ou que lhe será dado. Quando queremos saber o destino imediato, usamos “aonde”: “Aonde você vai  amanhã?”.

A diferença existe, mas, na língua oral, como o leitor já deve ter notado, nem sempre ela se observa. É relativamente comum ouvirmos alguém perguntar “Aonde você estava ontem à noite?”, não é mesmo?

Ora, o verbo “estar” indica não movimento, mas permanência, imobilidade. Por esse motivo, dispensa o uso da preposição “a”. Note que ninguém diz algo como “Estava ao escritório ontem à noite”. Por que, então, perguntar “aonde a pessoa estava“?   Perguntemos, então, o seguinte: “Onde você estava ontem à noite?” – agora sim! E respondamos: “Estava no escritório”, certo?

Se quisermos saber a proveniência de algo ou de alguém, usaremos “de onde” (ou “donde”, mas essa forma é pouco usual no Brasil). Assim: “De onde você vem tão aflito?”.

Note que é o verbo “vir” que pede a preposição “de” (vir de algum lugar). A preposição “por” também pode acompanhar o “onde”. Isso ocorrerá nas situações em que o verbo da oração o exigir. Assim: “Por onde anda essa mulher?”, “Por onde você entrou?”, cujas presumíveis respostas seriam do tipo “Andou por terras distantes”, “Entrei pela porta dos fundos”.

Em resumo, temos o seguinte:

onde = lugar em que (a pessoa está, fica, permanece etc.)

aonde = lugar a que (a pessoa vai, chega etc.)

para onde = lugar para o qual (a pessoa vai para se fixar, por longo tempo)

de onde = lugar de que (a pessoa vem, provém etc.)

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