“Onde” e as preposições

O assunto em pauta ainda é o “onde”. Muita gente hesita na hora de escolher entre “onde” e “aonde”. Você já teve essa dúvida?

“Onde”, como todos sabemos, é um advérbio interrogativo de lugar. Quando queremos saber o lugar em que alguma ação ocorreu, perguntamos “Onde o fato ocorreu?”, certo?

Nem sempre, porém, queremos saber o lugar em que algo ocorreu. A ideia de lugar pode estar associada, por exemplo, à de movimento. Nesse caso, será necessário usar uma preposição que indique isso. Assim: “Para onde você vai quando se aposentar?”. Nessa construção, há o pressuposto de que a pessoa vá mudar-se quando se aposentar, daí a construção “ir para algum lugar”.

Quando vamos para visitar, não para fixar residência, usamos a preposição “a”: “Costumam ir à praia nas férias de fim de ano”. Nesse caso, se perguntássemos a essas pessoas a que lugar costumam ir nas férias, diríamos “Aonde vocês costumam ir nas férias de fim de ano?”.  A forma “aonde”, que nasce da justaposição da preposição “a” ao advérbio “onde”, é usada nas frases construídas com verbos de movimento que exijam a preposição “a”.

Você viu, então, que há uma sutil diferença entre ir a algum lugar e ir para algum lugar. Se você vai, mas volta logo, você vai a algum lugar; se vai para ficar por longo tempo, para fixar residência, você vai para algum lugar.

Na hora de perguntar, também ocorrerá distinção entre “aonde” e “para onde”. Quem indaga “Para onde vai este país?” está preocupado com o destino da nação, com o rumo que ela seguirá ou que lhe será dado. Quando queremos saber o destino imediato, usamos “aonde”: “Aonde você vai  amanhã?”.

A diferença existe, mas, na língua oral, como o leitor já deve ter notado, nem sempre ela se observa. É relativamente comum ouvirmos alguém perguntar “Aonde você estava ontem à noite?”, não é mesmo?

Ora, o verbo “estar” indica não movimento, mas permanência, imobilidade. Por esse motivo, dispensa o uso da preposição “a”. Note que ninguém diz algo como “Estava ao escritório ontem à noite”. Por que, então, perguntar “aonde a pessoa estava“?   Perguntemos, então, o seguinte: “Onde você estava ontem à noite?” – agora sim! E respondamos: “Estava no escritório”, certo?

Se quisermos saber a proveniência de algo ou de alguém, usaremos “de onde” (ou “donde”, mas essa forma é pouco usual no Brasil). Assim: “De onde você vem tão aflito?”.

Note que é o verbo “vir” que pede a preposição “de” (vir de algum lugar). A preposição “por” também pode acompanhar o “onde”. Isso ocorrerá nas situações em que o verbo da oração o exigir. Assim: “Por onde anda essa mulher?”, “Por onde você entrou?”, cujas presumíveis respostas seriam do tipo “Andou por terras distantes”, “Entrei pela porta dos fundos”.

Em resumo, temos o seguinte:

onde = lugar em que (a pessoa está, fica, permanece etc.)

aonde = lugar a que (a pessoa vai, chega etc.)

para onde = lugar para o qual (a pessoa vai para se fixar, por longo tempo)

de onde = lugar de que (a pessoa vem, provém etc.)

Comentários

  1. Prezada Thaís,
    existe uma praga que envolve o “onde”.
    Cada vez mais, comentaristas de futebol e pessoas supostamente informadas sobre o vernáculo utilizam-se de “onde” como sinônimo de “quando” ou mesmo com outros significados esquisitos. Você poderia discorrer sobre isso?

  2. Muito o claro o texto da Professora Thaís Nicoleti sobre o uso de “onde” e “aonde”. Na oralidade, as pessoas as usam sem distinção, substituindo uma palavra pela outra como se fossem sinônimas. Costumo também ouvir ” na onde”. Daí a pertinência dessa explicação.
    Em tempo, já conhecia a Professra Thaís do antigo programa vestibulando. Suas aulas eram excelentes!!! Parabéns!!!!!

    1. Abelardo, com maiúscula somente se se tratar do nosso país (Chegaram ao Brasil ontem pela manhã. Encontraram no País grande acolhida…). Note, porém, que isso não é obrigatório. Não existe recomendação explícita sobre isso no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa. Na “Moderna Gramática Portuguesa”, de Evanildo Bechara, há uma referência ao uso de maiúsculas “nos nomes que designam altos conceitos religiosos, políticos ou nacionalistas”. O autor dá os seguintes exemplos: “Nação”, “Estado”, “Pátria” etc. e observa que “esses nomes se escrevem com inicial minúscula quando são empregados em sentido geral ou indeterminado”. Na prática, o que se vê é que algumas editoras usam País em maiúscula quando se trata do Brasil, enquanto outras não o fazem. Não existe a obrigatoriedade. Abraços

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